PARÁ: Operação desarticula organização criminosa de transporte ilegal de madeira
Operação Cupinzeiro tem como alvo esquema entre madeireiros e servidores públicos que deveriam
fiscalizar o transporte de madeira; grupo chegou a patrocinar vandalismo.
Uma operação da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Polícia Federal (PF),
Ministério Público Federal (MPF) e Ministério Público do Estado do Pará
(MP/PA) foi realizada nesta terça-feira (12) em nove municípios do Pará,
Maranhão, Sergipe e Piauí. Batizada de "Cupinzeiro" a operação teve
como objetivo o cumprimento de 55 mandados - entre mandados de prisão,
de condução coercitiva e de busca e apreensão - expedidos pela Justiça
Federal em Paragominas (PA) para desarticular esquema de transporte
ilegal de madeira em rodovias federais. Os alvos foram madeireiros,
policiais rodoviários federais, fiscais da Secretaria de Estado da
Fazenda do Pará (Sefa) e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente
(Semma) de Dom Eliseu (PA) e transportadores de madeira. Eles são
acusados de formar um esquema para transporte de madeira ilegal pelas
estradas federais com a conivência de agentes públicos que atuavam no
posto de fiscalização na rodovia BR-010 - a Belém-Brasília - localizado
em Dom Eliseu.
O posto de Dom Eliseu é local de movimento intenso de caminhões que
transportam madeira e, após uma operação de apreensão de madeira
irregular, no final de 2015, a cidade foi alvo de uma onda de vandalismo
em que foi incendiado o prédio da Câmara de Vereadores do município,
entre outras depredações e agressões a servidores públicos. As
investigações da operação Cupinzeiro comprovaram que os madeireiros e
agentes públicos envolvidos no esquema patrocinaram esses atos. Nove
mandados de prisão preventiva, oito de prisão temporária, 11 de condução
coercitiva e 27 de busca e apreensão foram cumpridos pela PRF. A
Polícia Federal fez oitiva dos presos e análise do material apreendido.
Os alvos são Belém, Ananindeua e Dom Eliseu, no Pará, Paço do Lumiar,
São José de Ribamar, Trizidela do Vale e Itinga do Maranhão, no
Maranhão, Ribeirópolis, em Sergipe, e Eliseu Martins, no Piauí.
Entrevista coletiva Uma entrevista coletiva foi realizada na manhã
desta terça-feirta na sede do Ministério Público Federal, em Belém, para
falar da operação.
Participaram o procurador da República Alan Mansur (MPF), promotor de
Justiça Harrison Bezerra (Gaeco), delegado Ualame Machado (Polícia
Federal), corregedor-geral João Carlos Alcalde (PRF), superintendente
regional Irlando Lopes (PRF) e corregedor regional Sebastião Oliveira
Junior (PRF), Segundo o promotor de Justiça do Ministério Público do
Estado do Pará e integrante do Gaeco, Harrison Bezerra a operação está
fundamentada num termo de cooperação técnica entre o Ministério Público
do Estado do Pará (MPPA) e a Polícia Rodoviária Federal.
"O objetivo do termo de cooperação era tanto atuar no planejamento de
operações, quanto na área de inteligência. Esse tipo de convênio com a
PRF existe no Pará e em Santa Catarina", frisou Harrison Bezerra durante
a entrevista coletiva realizada na sede do Ministério Público Federal. E
complementou Harrison: "essa organização criminosa violava tanto o meio
ambiente, que é um patrimônio nacional, quanto a probidade
administrativa. As instituições aqui reunidas sempre vão estar
vigilantes na defesa do patrimônio público".
O modo de atuação da organização Entre os acusados estão quatro
policiais rodoviários federais, dois fiscais da Sefa, três servidores da
Semma de Dom Eliseu, um vereador de Itinga do Maranhão e caminhoneiros.
Além de permitir irregularidades ambientais, os fiscais deixavam de
recolher impostos (no caso dos agentes da Sefa) e liberavam caminhões
irregulares sem exigir a regularização dos veículos. Os agentes públicos
também monitoravam quaisquer movimentações de possíveis operações, para
que os envolvidos no esquema criminoso evitassem sair com os caminhões
irregulares. Os envolvidos no esquema são acusados dos crimes de
associação criminosa, corrupção ativa e passiva, falsificação de
documento público, falsidade ideológica, incêndio doloso e danos ao
patrimônio público.
As investigações As investigações começaram em 2015, pela Corregedoria
Regional da PRF do Pará, que levou ao conhecimento do MPF possíveis
irregularidades cometidas por policiais rodoviários federais envolvendo o
transporte irregular de madeira. O MPF decidiu investigar tais
informações, determinando que a Corregedoria da PRF fosse a campo para
reunir provas sobre o possível esquema criminoso. Investigadores do
MP/PA, por meio do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime
Organizado (Gaeco), também participaram dessas ações.
As investigações identificaram que a associação criminosa patrocinou a
onda de vandalismo em Dom Eliseu em dezembro de 2015, quando estava em
curso a Operação Temática de Combate a Crimes Ambientais (Otecca), na
região. De acordo com os investigadores, as provas coletadas mostram
claramente que madeireiros, agentes públicos e intermediários se
reuniram para instigar e financiar depredação, furtos e incêndios em Dom
Eliseu, às sedes da PRF, Câmara, Prefeitura e Departamento Municipal de
Trânsito. Também houve lançamento de rojões, foguetes e pedras em
direção aos agentes federais da operação Otecca, depois da apreensão de
nove caminhões de madeira ilegal por fiscais da PRF e do Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).
As manifestações levaram à interdição da rodovia e à necessidade da
atuação da tropa de choque da PRF.
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