sexta-feira, 9 de março de 2018

No Pará, Polícia Federal deflagra Operação Apáte

A ação serviu para apurar o uso de documentos falsos para regularização fundiária
  Ary Souza
 


A Polícia Federal investiga um grande esquema de uso de documentos falsos para regularização fundiária em diversos municípios do nordeste do Pará, que seria visto pela polícia como uma nova modalidade do crime de grilagem de terras. Pela manhã de hoje (09), durante a operação Apáte  - que significa "espírito que personifica o engano e a fraude" -, foram cumpridos três dos quatro mandados de prisão temporária expedidos.
Os acusados são: um ex-representante da Agropalma - empresa produtora de óleos e gorduras vegetais, que atua em várias regiões do Estado, com sede na capital paraense-, dois tabeliães que atuavam em cartórios do interior do Estado e faziam a documentação falsa e um técnico agrimensor. Este último, responsável pela parte técnica e deslocamentos das terras, ainda não foi localizado pela polícia. Os demais acusados foram presos em Belém.
Os três presos seriam responsáveis pela falsificação dos documentos por meio de utilização de cartório fictícios, situados no município de Acará, e forjavam certidões de matrículas de fazendas de particulares e de terras públicas. Os acusados foram encaminhados ao sistema prisional, onde ficarão à disposição da Justiça Federal. Eles responderão pelo crime de associação criminosa e uso de documentos falsos.
Também foram decretados oito mandados de busca e apreensão e ainda quatro mandados de apresentação de documentos nos municípios de Conceição do Araguaia, Concórdia do Pará, Moju, Acará, Tailândia e Belém, que resultaram na captura de documentos, celulares e processos de órgãos públicos.
Neste processo de defraudamento de documentos relacionados à regularização fundiária, mais de 15 fazendas do nordeste do Pará foram lesadas e perderam grandes hectares de terras, que foram incorporados às propriedades da Agropalma.
Advogado de uma das vítimas prejudicadas pela fraude, Leonardo Bahia falou sobre a descoberta da falcatrua, há alguns anos. "Tem cinco anos que nós passamos a fazer algumas investigações junto aos cartórios do Acará e verificamos que a empresa Agropalma estava de posse de várias terras. Posteriormente, formos averiguar a procedência da documentação dessas terras e recebemos resposta negativa da empresa em relação ao acesso à informação, que não permitiu a checagem, o que aguçou ainda mais nossas suspeitas", comentou. 
De acordo com o advogado, a empresa foi procurada diversas vezes para prestar esclarecimentos acerca da documentação, mas sempre negou as acusações. "Não logramos nenhum êxito junto à empresa, que sempre se manteve irredutível por inúmeras vezes. Então, nós demos andamento às denúncias, pois houve crime de fato", complementou.
A Agropalma informou, por meio de nota, que atua dentro da legalidade e que está colaborando com as investigações. 
O Incra informou em nota que, a empresa Agropalma protocolou pedidos de regularização fundiária no órgão, que ainda se encontram em fase de análise. O Instituto disse que está à inteira disposição da Polícia Federal para as investigações.
Leia mais informações na edição de amanhã de O Liberal.

 Por: Portal ORM, com informações de O Liberal

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