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sexta-feira, 15 de março de 2019

PF faz operação em 3 estados para investigar lavagem de dinheiro do tráfico de drogas

Agentes foram às ruas para cumprir 72 mandados de busca e apreensão em Rondônia, Mato Grosso e Pará. Empresas suspeitas de ocultar dinheiro do tráfico são alguns dos alvos.

Por Gabriel Palma, Camila Bomfim e Jonatas Boni, TV Globo e G1 RO — Brasília

PF faz operação em 3 estados para investigar lavagem de dinheiro do tráfico de drogas

Mais de 200 policiais federais foram às ruas no início da manhã desta quinta-feira (14) para cumprir 72 mandados de busca e apreensão em três estados: Rondônia, Pará e Mato Grosso. A Operação Dracma investiga a atuação de empresas de Rondônia na ocultação de recursos gerados pelo tráfico de drogas. Quatro pessoas foram presos em flagrante.

Em Rondônia, os mandados foram cumpridos nas cidades de Guajará-Mirim, Porto Velho e Ji-Paraná, Ariquemes, Cacoal, São Miguel do Guaporé, Ouro Preto do Oeste e Nova Mamoré. Também houve prisões em Cuiabá (MT) e Itaituba (PA).

Um dos mandados de busca e apreensão foi cumprido na casa do empresário Mário Português da Coimbra.

Além das buscas, a Justiça determinou o afastamento das funções e o sequestro de bens dos gerentes e proprietários das empresas envolvidas. O valor confiscado é de mais de R$ 70 milhões. Também participam da ação desta quinta servidores da Receita Federal.

A Receita Federal estima que o esquema movimentou aproximadamente R$ 2 bilhões entre 2009 e 2016, período em que foi feito a retirada irregular de mercadorias pelas empresas investigadas. O prejuízo aos cofres públicos, pelo não recolhimento dos tributos federais, chega a R$ 300 milhões.

São investigados os crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas oriundas do tráfico internacional de drogas e sonegação fiscal.

Operação Dracma, em Porto Velho — Foto: Carolina Brazil/Rede Amazônica

A operação se baseia em 26 inquéritos da Polícia Federal, 36 relatórios fiscais da Receita Federal e 86 laudos de perícia financeira.

Durante a manhã, a PF apreendeu uma grande quantidade de dinheiro vivo, mas os valores ainda não foram divulgados.

Como funcionava o esquema?

Em vez de repatriado, parte do lucro das grandes empresas distribuidoras/exportadoras era encaminhado diretamente aos cambistas da Bolívia para fim de custódia de valores.


Durante dez anos, centenas de milhões de reais foram enviados de traficantes do Pará e Nordeste para contas de pequenas empresas físicas em Rondônia, as chamadas "contas de passagem".


Segundo a PF, depois de receberem os valores, os suspeitos intermediários faziam depósitos sucessivos nas grandes empresas distribuidoras em Rondônia. Estas empresas recebiam os recursos e emitiam as autorizações de pagamentos.


Estas autorizações de pagamentos são classificadas como cheques ou vouchers, que, após serem efetuadas, credenciavam o portador a sacar o valor nele inscrito em algum cambista na cidade boliviana de Guayaramerin.


A PF diz que não havia qualquer emissão de nota fiscal pela quadrilha para sustentar a licitude.


Os portadores dos cheques ou vouchers sacavam os valores nos cambistas bolivianos e assim faziam o pagamento de drogas adquiridas na Bolívia.


Após serem remunerados, os traficantes na Bolívia forneciam as drogas que abasteciam o tráfico em cidades do Nordeste e do interior do Pará.


Além de agirem como verdadeiras instituições financeiras, segundo a PF, foi descoberto que as empresas de grandes portes se usavam irregularmente dos benefícios tributários destinados exclusivamente no livre comércio de Guajará-Mirim, cidade a cerca de 300 quilômetros de Porto Velho.

São cumpridos 72 mandados de busca e apreensão em cidades de Rondônia, Pará e Mato Grosso. — Foto: Polícia Federal/ Divulgação

Para as empresas de grande porte, a vantagem do esquema criminoso era a apresentação ao fisco de lucro formal, além do valor efetivamente conquistado e o consequente pagamento de tributos "a menor".

Segundo a PF, os intermediários do grupo criminoso recebiam entre 1% e 5% dos valores recepcionados e encaminhados à Bolívia. Isto era feito a título de remuneração.

Operação Dracma em Rondônia nesta quinta-feira, 14 — Foto: PF/Divulgação

Quatro empresas são investigadas em Rondônia: Coimbra, MS Comercial Imp. e Exp. de Alimentos, Potosi e Rical.

Ao G1, a Rical informou que está colaborando com as investigações da PF e ressaltou que suas atividades estão dentro da legalidade e transparência.

Já a Distribuidora Coimbra divulgou nota informando que o grupo não compactua com qualquer atividade ilícita. Há empresa afirma ser idônea e que está no mercado de Rondônia há 20 anos, prezando pela transparência. O grupo afirma que está colaborando com as investigações.

G1 entrou em contato com a MS e Potosi e ainda aguarda posicionamento.

Porto Velho

Ainda não foi divulgado o número de mandados de prisão cumpridos em Porto Velho, mas desde cedo os agentes da PF estão indo a vários endereços em busca dos suspeitos investigados. Um dos imóveis vasculhados pelos agentes da PF fica no bairro Agenor de Carvalho.

Pelo menos seis empresários devem ser levados pela PF para prestar esclarecimentos.

Operação Dracma é realizada em Porto Velho nesta quinta-feira — Foto: Carolina Brazil/Rede Amazônica

Dracma

O nome da operação, Dracma, é uma alusão à antiga moeda da Grécia, que tinha a necessidade de seguir o rastro do dinheiro durante as investigações dessa natureza.

Dracma era a mais antiga moeda ainda em circulação no mundo, sendo que esta é usada desde o primeiro século depois de Cristo (d.C).

VEJA FOTOS DA OPERAÇÃO EM RONDÔNIA

Ação da PF em Guajará-Mirim — Foto: PF/Divulgação

Operação Dracma, em Rondônia, feita pela PF — Foto: PF/Divulgação

Dinheiro é apreendido na Operação Dracma — Foto: PF/Divulgação

Policial faz busca por documentos na Operação Dracma — Foto: PF/Divulgação

Viatura da PF durante operação Dracma — Foto: PF/Divulgação

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