sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

Ex-vereador confirma que manipulou informações em ofícios para não se complicar com a polícia

Foto: (Reprodução/TV Tapajós)

Segundo Reginaldo Campos, orientados por ele, Andrew Oliveira e Wilson Lisboa combinaram informações sobre datas e texto dos ofícios respondidos ao delegado Kleidson Castro, ocultando a verdade.

Em um dos vídeos liberados pela Justiça, da colaboração premiada de Reginaldo Campos, réu do caso ‘Perfuga’, em Santarém, oeste do Pará, o ex-vereador confirmou aos promotores públicos Rodrigo Aquino e Maria Raimunda Tavares, que informações sobre datas e lista de pessoas que trabalhavam em seu gabinete foram manipuladas na tentativa de não prejudicá-lo nas investigações comandadas pelo delegado Kleidson Castro.
No ofício 012, sobre a admissão da técnica de enfermagem Sarah Campinas, por exemplo, a data informada no documento foi combinada em encontros e ligações telefônicas entre Andrew Oliveira, ex-chefe do RH da Câmara e o advogado Wilson Lisboa, também réu da Perfuga. 
“Eu não sabia com precisão a data de entrada e saída da Sarah, naquele momento. Falei para o delegado uma data aproximada. E quando solicitou as informações da Câmara, eu informei ao RH que tinha falado uma data na delegacia e que Andrew mandasse aquela data, porque eu queria que a Câmara confirmasse o que eu tinha dito. Foi uma lambança, me perdoem, porque não tinha porquê eu fazer isso”, disse Reginaldo Campos.
Segundo o ex-vereador, ele falou com o Andrew que era o responsável do RH, que concordou em fazer o ofício informando a data de 1º de dezembro de 2015. “Foi uma insistência minha para manter a data. Então, ele (Andrew) juntamente com o Dr. Alexandre Marialva fizeram o ofício e deram para o Ezequiel (Marinho) levar para o presidente (Antônio Rocha), depois foi encaminhado ao delegado”.
Campos disse ainda que, o advogado Alexandre Marialva não tinha conhecimento de que a data informada no ofício estava errada. Na verdade, Sarah havia sido contratada em julho de 2015.
O promotor Rodrigo Aquino lembrou que em uma interceptação telefônica, há vários momentos em que Andrew e Wilson conversam sobre a manipulação da data do ofício, inclusive para dizer que houve um erro no sistema. E o promotor pergunta se houve manipulação do ofício para responder erroneamente ao delegado. E Campos confirmou que sim: “Houve, porque é o que sugeria essa data”.
O ex-vereador ressaltou que Ezequiel Marinho (chefe de gabinete de Antônio Rocha) não participou da confecção do ofício. Apenas levou para o presidente da Câmara assinar.
Em relação ao ofício 038/2017, de 24 de abril, Campos disse que quem participou da manipulação das informações foi Andrew e ele. O texto foi redigido pelo procurador da Câmara, Alexandre Lopes, com base nas informações manipuladas pelo ex-vereador. Ele afirma que Alexandre Lopes não sabia que as informações haviam sido manipuladas e garantiu que Ezequiel não participou. O documento informava os nomes de alguns servidores e omitia os de outros que eram lotados no seu gabinete.
“Tinha pessoas que eu tinha exonerado naquele mês e que eu não queria informar para a delegacia, aí coloquei outras pessoas que estavam na estrutura da Câmara. Eu não queria que o seu Mário, a Vânia e Valdirene fossem informados para o delegado. Pedi a exoneração deles e a substituição pelo Alcimar, o José Carlos, a Elane Vitor o Samuel Fernandes. Eu não entendo que houve má fé, uma vez que essas pessoas eram ligadas a mim”, justificou.
O ex-vereador disse ainda que acreditava que as pessoas informadas no ofício 038 estavam mais preparadas a prestar depoimentos, caso fosse necessário. “Foi manipulado esse ofício para não me prejudicar na polícia. E também porquê se essas pessoas viessem a ser chamadas, elas teriam facilidade para falar que já eram assessores nossos”.
Campos disse também que não informou as pessoas ligadas a ele e que estavam na estrutura, como a advogada Ardilene, esposa de Wilson Lisboa, porque já havia passado o teto da resolução sobre contratações, que era de R$ 15 mil.

Núcleo funcional

Ainda no vídeo da colaboração premiada, Reginaldo Campos esclareceu aos promotores, como funcionava o núcleo funcional do esquema criminoso investigado pela operação ‘Perfuga’.
Sobre a assessora parlamentar que foi promovida a chefe de gabinete, Maria do Socorro, disse que era pessoa muito atuante durante seu mandato, e que não merece estar passando por isso. Durante estar assessorando Campos na gestão em 2015 e 2016 repassava a ele uma quantia em torno de R$ 1 mil a R$ 1,2 mil e em 2017 durante quatro meses, R$ 1 mil. O repasse era feito em espécie, em mãos, e algumas vezes no gabinete.
O ex-vereador confirmou aos promotores que quando mudava a função de um servidor para ganhar um salário maior, na maioria das vezes era com a intenção de ficar com parte do valor.
Acerca de sua relação com Sarah Campinas, o ex-vereador disse que a conheceu na casa de parentes da sua esposa. E que em 2015, a convidou para trabalhar na sua assessoria quando assumiu a presidência, mas não teve o cuidado de perguntar se ela tinha outro trabalho e ela foi lotada para fazer visitas a famílias carentes, pessoas no hospital.
Campos afirmou que não sabia que Sarah tinha vínculo com a Sespa. Recebia R$ 1,5 mil inicialmente. Seis meses depois aumentou para R$ 4 mil. E Sarah começou a repassar pra ele, mensalmente, cerca de R$ 1,9 mil. Levava na sua casa, em espécie.
Sobre as funções de Sarah, Campos disse que ela deveria visitar famílias carentes e pacientes em hospitais, principalmente de outras cidades, a pedido de vereadores de outros municípios de Uruará, Itaituba. “Ela era da área e sabia e falava com o diretor do hospital, com a minha anuência. Ela pode ter feito pelo gabinete sem eu saber o encaminhamento de pessoas humildes que procuravam a Câmara. Mas eu não tinha dado essa orientação para a Socorro e a Raquel fazerem e esse atendimento. Mas faziam de forma humanitária”.
Perguntado se sabia que Sarah tinha requisições no gabinete do então vereador para encaminhamento de pacientes para consultas e exames, Campos disse que não tinha conhecimento da existência de requisições no seu gabinete. 
 
Por G1 Santarém, PA 

 

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